Quem nunca deus uns pegas que repercutiram, hein? Aposto que
você aí, caríssima leitora do blog, morre de vontade de dar uns beijinhos
naquele gato famosinho e conhecido do colégio ou do bairro. Imagina se isso
acontecesse na frente de uma pessoa mega fofoqueira: com certeza esse beijo
iria além das duas bocas, e pararia na do povo. Foi assim com o primeiro beijo
da televisão, foi assim com o primeiro beijo gay da televisão. Claro que houve
vários antes, mas vocês entenderam – na rede Globo, em horário nobre.
Repercutiu. Emocionou. Enojou.
Eu, particularmente, não tenho discriminação alguma a
homossexuais, por ser uma realidade próxima hoje em dia e também pelo lado
humano. Não concordo com pais que expulsam filhos gays de casa, gente que
discrimina homossexuais nas entrevistas de emprego, exclui do grupo, ou pior:
confronta, xingando, agredindo. Na novela Amor à Vida, Felix era, inicialmente,
o vilão. Abandonou a sobrinha recém-nascida em uma caçamba de lixo, roubou o
próprio pai e cometeu uma série de atrocidades na trama. Era casado, porém
insatisfeito em sua opção sexual, o que o fez assumi-la no decorrer da história
(aí está outro assunto interessante: o casamento “arranjado”). Divorciou-se e
conheceu Niko, rapaz no qual foi se apaixonando, devagarzinho... Niko era
completamente o oposto de Felix, era bondoso, amável e extremamente ingênuo. A
contradição dos personagens foi justamente a química que os uniu, já que Felix
fez Niko ficar “mais esperto” em relação aos que queriam enganá-lo, e Niko fez
Felix deixar florir seu lado bom. Um despertando o melhor do outro, como em um pitoresco
relacionamento.
No último capítulo ocorreu o tão esperado beijo, que não
teve língua, não foi rápido nem demorado e nem fora de contexto, e ainda teve
direito a um selinho no final. Eu achei a cena linda e necessária sim, porque a
quebra desses tabus precisava ser feita. As consequências que eu vi na boca da
galera e no Facebook foram bastante hipocrisia.
Vamos aos comentários: “foi desnecessário.” Não colega, não
foi. Já estava passando da hora, se você for à baladinha, sabe que vai ver
isso. Se a novela sempre retrata a realidade, por que não?
“Ah, mas e as
crianças?” Pra começar: com ou sem beijo gay, NOVELA NÃO É COISA DE CRIANÇA. Há
uma indicação etária no início da programação que mostra justamente isso. E
você também não vai educar seu filho para fazer o que ele bem entender, do
jeito que ele não vai sair beijando todas as menininhas por aí, não vai fazer o
mesmo com os meninos. Dizer à criança que aquilo é errado e ela não deve fazer,
é normal e perfeitamente aceitável, ela entenderá quando crescer. Lembro que
até os meus oito anos, meus pais tampavam meus olhos em cenas de beijo!
“O beijo foi falta de respeito!” Uai, mas e a mulher sendo
tratada como objeto na novela, é respeitoso? E as cenas de sexo quase
explícitas, são respeitosas? É por isso que eu acho a maioria dos comentários hipócritas.
Há coisas MUITO piores representadas na telinha.
Há também a questão religiosa, no qual não vou comentar por
ser extremamente delicada. Mas vou finalizar com uma ilustríssima frase do
atual Papa Francisco: "Se alguém é gay e busca o Senhor com sinceridade, quem
sou eu para julgá-lo?"

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