sábado, 22 de março de 2014

Conto - I Knew You Were Trouble (Parte II)

Postado por Unknown às 12:42 0 comentários


Depois desse episódio e das mensagens de texto nada coerentes, eu dei um gelo nele. Nada rude, apenas fui me afastando aos poucos. Observei-o entrando e indo atrás de seus amigos, depois direto para a rodinha de flamejantes. Em meio às luzes da boate, enxerguei um de seus companheiros tirando algo do bolso, sorrindo, e entregando a ele. Preferi fingir a mim mesma que eu não sabia o que era.
                Ah, ele flertava com todas. Olhava de cima a baixo com um sorriso malicioso (porém totalmente atraente) no rosto, fazendo-me sentir um pouco desconfortável caso ele fizesse isso comigo.
                Fui dançar com Raquel. De repente, um carinha chegou nela, bonito até. Logo o reconheci: o amigo do Marcelo. Chamava-se Roberto, e logo após apresentar-se, lançou a ela uma agressão disfarçada de elogio, fitando todo o seu corpo.
                - Tá top, hein gata?
                - Constrangida e ao mesmo tempo lisonjeada, ela riu, timidamente. Puxei-a para perto de mim, sussurrando em seu ouvido: “Cuidado com esse menino, Quel. Escuta o que eu tô dizendo.” “Calma, Milena, tá tudo sobre controle,” obtive como resposta. Segundos depois, Marcelo apareceu atrás de mim.
                - Que saudade, gata! Quanto tempo desde a colônia.
                - É verdade, quanto tempo! – exclamei educadamente. Ah, como ele era lindo.
                - Você está mais maravilhosa que já era.
                - Obrigada... é que maquiagem me favorece mais do que respingos de tinta.
                - Linda, sempre de bom humor essa bonequinha... por que não matamos a saudade no segundo andar do salão? Fica trancado, mas eu te levo até lá.
                O que ele queria dizer com matar saudade eu não sabia, mas não estava nem um pouco a fim de descobrir. Talvez eu até o beijasse novamente (até porque um gato daqueles numa festa movimentada daquelas...), mas não lá. Aqui. E só depois de ter certeza de valeria a pena.
                - Ah não, Marcelo... quero dançar. Por falar nisso, preciso procurar a Raquel. Por que não dançamos?
                - Não danço bem... vou atrás do Roberto também. Depois eu volto a te procurar, ok?
                - OK, venha sim. A gente se vê.
                Rodei o salão, e nada de Raquel. E nada de Marcelo. Peguei uma batidinha de maracujá e encontrei algumas colegas. Ficaria por ali mesmo até que Raquel aparecesse. Uma hora depois, eu já estava cansada de tanto dançar em cima do salto, sem assunto com aquele grupinho e preocupada com a Raquel. Foi quando eu vi Marcelo, entrando de volta no salão agarrado a uma menina. Era de se esperar que ele arrumasse outra, mas ainda assim, pensei comigo mesma: “canalha.” Fui na direção completamente oposta, para que ele não percebesse que aquela tosca cena havia me afetado. Pedi ao barman o terceiro drink com álcool da noite, e já me preparava para ligar pela milésima vez para o número da Raquel. Por sorte, ela apareceu nesse exato momento. Vindo da porta do salão, com os saltos nas mãos e cabelos a favor do vento, ela se aproximou, e quando eu abri a boca para dar uma bronca, ela me olhou com seus olhinhos de Bambi, e uma calda grossa e escura de rímel começou a escorrer pelos seus olhos. “Lena, como eu odeio esses caras! Me leva pra casa.”




                Fiquei sem entender, mas já não aguentava mais um segundo naquele lugar. Andamos por dois quarteirões até o ponto de táxi mais próximo, e ela me explicou a história.
                - Eu fiquei com o Roberto... Mas foi horrível. Ele me levou pra fora da festa, e ele tava drogado, Milena! Ele tava louco, queria fazer coisas comigo que eu não queria... Eu saí, claro. Mas quando voltei, ele tava ficando com outra menina! Na minha frente! Olha que idiota, Mi! E você bem tinha me falado pra eu tomar cuidado com ele...
                - Calma, Quel... tá tudo bem, eu tô com você agora. Olha, um táxi.
                Entramos no taxi e tudo o que eu conseguia fazer era abraçar minha amiga, ouvindo suas lamentações e pensando que o mesmo podia ter acontecido comigo, e por alguma força maior, não aconteceu.
                - Ele era tão fofo comigo no chat... eu conversava com ele por lá, e combinamos de ficar na festa, mas eu devia saber.  Mas isso foi bom pra eu deixar de ser iludida, bem feito.
                - Raquel, isso era pra eu estar dizendo a você, você me conhece. E não estou. Não fica se lamentando assim não... já passou. Chegar lá em casa, você toma um banho, escova os dentes pra se livrar da baba desse idiota que eu vou fazer brigadeiro pra gente, ok?
                - Obrigada Mi, de verdade, amiga! Chegamos.
                Paguei o taxi, peguei toalhas limpas e fui para a cozinha enquanto ela tomava banho. Tomei o meu em poucos minutos, enquanto ela puxava a bicama e arrumava o quarto para que pudéssemos dormir. Cheguei lá e a vi um pouco triste, tirei o brigadeiro da geladeira e liguei a TV na MTV. Estavam passando clipes. Comemos e asissitimos, e na última colher de doce, o último deles. Era uma música conhecida, cuja letra eu sabia decorada. Contava a história de uma menina que sabia que o cara iria machucá-la, mas se entregou a ele mesmo assim. Clichê, pensei comigo mesma, ainda que nunca tivesse acontecido comigo.
                Assistimos caladas e pensativas, com ela deitada no meu colo e minhas mãos no seu cabelo. No fim do clipe, reparei que Raquel estava chorando.
                - Eu sabia que ele era encrenca, - ela disse por fim. – sabia que ele era encrenca assim que entrou no salão.
                - Nós nem sempre sabemos, amiga. Mas aprendemos a reconhecer. A evitar. A confiar no feeling. O feeling não erra. E o feeling também não vai errar quando achar a pessoa certa. E agradeça que você se livrou dele antes que algo pior acontecesse. Agora dorme, princesa.
                Beijei sua testa e apaguei a luz. Deitei na minha cama. Dentro de mim, eu estava tão machucada quanto ela. Porém aliviada. I knew you were trouble when you walked in. E por causa disso, eu evitei problemas.



Conto inspirado nas músicas I Knew Your Were Trouble - Taylor Swift e This Is What Makes Us Girls - Lana del Rey.


quinta-feira, 13 de março de 2014

Conto - I Knew You Were Trouble (Parte I)

Postado por Unknown às 23:33 0 comentários
Era uma tarde normal de sexta-feira, eu estava no meu quarto ouvindo música nos fones de ouvido, como de costume. Era só um aquecimento de energias para a noite de hoje, aonde eu iria a uma festa com minha melhor amiga. Era uma das primeiras desde o término do meu último relacionamento, quando o Leo arrumou as malas, pegou seu passaporte e foi para os Estados Unidos com uma louraça sem nem me dar tempo de acenar o lencinho no aeroporto. Eu sabia que a noite seria divertida, eu sentia falta disso e já não sentia mais falta do Leo. Não tinha vontade de paquerar, apenas de me acabar na pista de dança, e sabia que o faria. 
                O shuffle do iPod me trouxe uma música conhecida, cuja letra eu sabia decorada. Contava a história de uma menina que sabia que o cara iria machucá-la, mas se entregou a ele mesmo assim. Clichê, pensei comigo mesma, ainda que nunca tivesse acontecido comigo. Deixei a playlist rolar e cantei junto as minhas batidas preferidas debaixo da ducha gelada.
                Banhada, penteada, vestida e maquiada, fui à festa, já dando de cara com minha amiga e correndo atrás dos meus bons drinques. “Fraquinho, por favor,” pedi ao barman, assim poderia aproveitar a minha noite inteira. Assim que consegui pegar minha batida de morango e sair do meio da fila anarquista, fui sentar-me à mesa, a única cadeira vazia estava de frente para a porta da boate. E assim que olhei, a porta se abriu.
                Era o Marcelo. Um dos caras mais lindos que já tinha visto na vida, e bem me lembrava dele. Era do tipo que manda-sms-no-dia-seguinte, com cantadas tão idiotas que nem o pedreiro da construção da rua Trinta teria coragem de fazer. Ah, e “eu te amos” de madrugada. Aposto meu scarpan de oncinha que ele nunca mandava esse tipo de mensagem enquanto sóbrio, e cada SMS que eu recebia dele parecia criptografar a seguinte mensagem: canalha. Sabe aquele cara que é gato, sabe que é gato, e aproveita para virar canalha e partir corações de menininhas? Então, eu não posso dizer isso dele porque aí já seria julgar demais, e não gosto desse tipo de coisa contra mim. Mas ainda que tenhamos nos conhecido em uma situação, digamos, fofa demais para um cara desse tipo, o olhar, o jeito de falar e de andar ao entrar no salão de festa não enganavam.
                (Ah, flashback de quando nos conhecemos:)
                Estava eu na secretaria do clube, me inscrevendo para ser monitora da colônia de férias, quando ele apareceu, pedindo licença para entregar à secretária uma foto 3x4. Enquanto eu preenchia os papéis e ele a aguardava fazer o que tinha de fazer, ele me observava. Até que ela não aparecia, e eu já estava ficando incomodada. Por fim, me virei para ele:
                - Não se pode fazer uma inscrição sem se sentir no Big Brother?
                Foi quando percebi como ele era lindo, e comecei a me sentir arrependida-barra-envergonhada por ter sido indelicada. Ele se assustou, mas me respondeu com voz doce:
                - Perdão, não foi minha intenção. Só queria ver para que você estava se inscrevendo... Milena, não é?
                - Está tudo bem, agente 007. Milena sim, e você?
                - Bond. James Bond.
                Suspirei.
                - Por que será que eu já imaginava que esse seria o seu nome?
                - Na verdade não é, é Marcelo. Mas você ainda não respondeu...
                - Ah. Estou me inscrevendo para ser monitora da colônia de férias. Uma semana de trabalho voluntário com crianças... revigorante.
                - Sério? Eu também!
                Foi quando a secretária voltou,dizendo que sua situação estava regulamentada e sua nova carteirinha ficava pronta em dez dias úteis. Algo me dizia que no fundo, se inscrever como monitor não era o objetivo dele ao entrar naquela secretaria. Pediu um formulário para preencher e pôs-se ao meu lado, tentando, em vão, puxar assunto: eu já havia terminado de preencher o meu.
                - Até a colônia então, Bond.
                - Te vejo lá.
                Por mais incrível que parecesse, ele era um amor com as crianças. Éramos os monitores mais novos, e responsáveis sempre pela mesma área da colônia: a de oficinas de pintura e escultura de argila. No primeiro dia ele puxou assunto. No segundo, conseguiu acalmar o garoto-problema que só criava confusão na oficina e salvar a minha pele, me arrancando um sincero agradecimento. No terceiro, eu já comecei a perceber que ele me olhava diferente, e começava a me tocar também. Ora no meu ombro, ora na minha mão. É, ele estava flertando. No quarto dia, ele me surpreendeu. Mesmo com as mãos sujas de argila e o rosto sujo de tinta, ele me elogiou.
                - Alguém já te disse que você é linda?
                - Suja de tinta? Confesso que é a primeira vez.
                - Suja de tinta, - disse sorrindo e sujando a ponta do meu nariz com tinta vermelha, enquanto segurava uma flanela com a outra mão, que fiz usá-la para limpar-me.
                E no quinto dia ele me beijou. Como as crianças já haviam terminado suas obras de arte, o quinto dia era de arrumação da salinha, limpeza de pincéis, mesas e cadeiras. A coordenadora do clube me conhecia e confiava em mim, então me deixou a sós com ele na sala sem titubear. Confesso que esperava e agradecia por isso, pela oportunidade perfeita, que eu só estava esperando chegar. Mas não foi tão perfeito assim. Fomos interrompidos pela própria, entrando na sala. Tivemos tempo de nos afastar, e também agradeci por isso. Naquele momento a mão dele começava a descer pelas minhas costas e eu não sabia onde ela queria chegar.
                Falando assim, ele parecia um príncipe encantado de filme Hollywoodiano, mas no meio de conversa, sempre dava uns foras. Comentava de suas amizades, nomes conhecidos (em maioria, por coisas nada boas), mostrando o quanto ele era popular e com moral. Também explicitava seu “tipo de mulher”, o que era extremamente irritante, por mais que eu me encaixasse nele. Com um pouquinho de olhar clínico, dava para saber que o mais prudente a se fazer com ele era ter um pé atrás. Porém, unindo o útil ao agradável, nada melhor que trabalho voluntário no currículo + beijinhos de um super gato nas férias. É, eu não tinha o que reclamar.
                (Fim do flashback)
                


Continua...

quarta-feira, 12 de março de 2014

Você Se Foi.

Postado por Unknown às 23:07 0 comentários
Entre as idas e vindas da vida, o adeus é a pior parte. Me pergunto sempre porque o adeus é necesario. As pessoas me dizem que seria para entrar coisas novas em nossas vidas. O adeus doí, doí muito. Te dizer adeus e te deixar partir não foi fácil. Te ver pelos cantos, observando suas ações e não saber, não fazer parte da sua vida mais doi muito. Não seria capaz nunca te de dizer adeus, afinal.. Até mesmo você disse que nunca me diria.
Não quero me lembrar de promessas feitas, de palavras ditas em momentos errados. As promessas nunca seriam cumpridas e as palavras jamais lembradas. Te valorizei, te amei de todas as formas. Cuidei de você, tentei fazer de tudo para que nada te acontecesse. Você não repensou, você não deu valor. Simplesmente deu as costas. Eu engoli seco, sofri.. As lagrimas  tomaram conta, o motivo  do seu sumiço me fez perder noites de sono e até mesmo a fome. Não imagina que um sentimento tão pequeno, tão simples se transformaria em tanta tristeza, desconfiança e sem uma razão para o final.. Ops, esqueci que a gente nem mesmo começou. Cansei de dar o melhor de mim e receber de menos das pessoas. As vezes queria mudar, me transformar, mas vejo que a mudança não vem apenas pro lado fora, mas  principalmente pelo lado de dentro, do seu coração.
Não queria te perder, alias jamais queria que você tivesse ido. Não queria que o mundo te transformasse em um otário que você é hoje, mas sei que por dentro continua aquele garoto bobo, e risonho que eu conheci.
Desculpa se você ainda faz parte das minhas ilusões e dialagos imaginários. É que você virou minha rotina.
 

Lorena Caires Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos