Ok, eu não sou a melhor pessoa para falar sobre política desse mundo. Na verdade, eu me lembro de repetir várias vezes quando mais nova: "só vou votar depois dos meus 18 anos, quando for realmente obrigatório. Deus me livre de me misturar a essas coisas!" Contudo, também me lembro de ir com meus pais às urnas quando criança, e orgulhosamente apertar os botõezinhos e ouvir o ruído estridente que a maquininha fazia sempre. Irônico, não? Quando aquilo não tinha significado algum para mim, era apenas divertido, mas quando eu comecei a entender a importância que aqueles botõezinhos coloridos tinham, a coisa começou a ficar assustadora.
Ontem fui fazer meu Título de Eleitor. Olhando pra trás, vi a criancinha de sete anos falando: "isso, garota! Agora você entra sozinha na cabine!" e a de doze desdenhando: "vai lá, otária - não sabe no que tá se metendo." Mas a menina de dezesseis anos que eu sou
foi que falou mais alto. "Larga de hipocrisia. Você já está grandinha o suficiente pra poder ver que é lá que você pode dar o seu maior grito - não no meio da rua vestindo uma máscara e cantando uma música do Legião Urbana."
Nosso país não é uma merda. Cara, é o nosso país!! É a Terra de Vera Cruz que sofreu, sofreu, e hoje está como está. Não nasci aqui à toa, mas foi para fazer deste lugar a minha casa. Uma coisa que acho bonitinho de ver nos Estados Unidos (nosso norte de comparações, claro) são as pessoas indo votar com uma peça de roupa que ao menos remete à cor da bandeira. Não é na hora do jogo de futebol ou na celebração da Independência que temos de mostrar o nosso maior nacionalismo, mas creio eu que seja na hora de eleição. A pessoa que está ali, em cima do palanque, é o nosso representante. Ela é a cara do Brasil, e não pode ser qualquer pessoa!!!
Sei que é difícil. Ainda mais nós, que somos mais novos, decidir entre todos aqueles rostos da televisão, qual é mais "a nossa cara." Mais importante ainda que isso, qual estará lá por nós e irá resolver nossos problemas, qual irá organizar nossa situação e nos fazer progredir, qual daqueles rostos irá fazer jus aos escritos da bandeira. Tem que pesquisar. Tem que analisar a fundo, o passado, o presente e o futuro do candidato. O passado, a gente já sabe analisar. Está lá, a ficha, o que ele já fez ou deixou de fazer. O presente também é importante. Faz parte da campanha dele fazer chover papelzinho com o lindo rostinho dele na rua?? Que tipo de pessoa que faz isso se preocuparia com a ordem?? Confesso que acho o cúmulo do nojo e do ridículo. E bem, a análise do futuro parte das duas anteriores, se ele teve um bom passado e tem um bom presente, provavelmente terá um bom futuro.
Então, se você é uma pessoa que costuma reclamar de tudo do país, reclamar da educação, reclamar da rua esburacada, reclamar do posto de saúde que não funciona, reclamar do preço alto de tudo, reclamar de tudo; das três, uma:
- Você pode continuar na sua postura de reclamão e observar o caos fluir;
- Você pode ser corajoso e forte para arregaçar as mangas e mudar com as próprias mãos, colocando o próprio nome para ser votado;
- Você pode aproveitar o poderzinho que tem em mãos e votar.
Escolhi o terceiro, pois a mocinha de doze anos em mim ainda grita para não me misturar à política tanto assim (e também porque de forma alguma sou o rostinho certo para ser "a nossa cara"), mas também porque sou cidadã, e quero desfrutar deste direito que nossos antepassados tanto lutaram para adquirir. Então, agora estou dizendo à minha eu de sete anos: "quer ir lá apertar os botões comigo?"


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